quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Escola Pública


Menina com livro, Bertha Worms
A Rede Gazeta em seu jornal das 19h, de 14/9/2011, relatou a trajetória de dois alunos de Ensino Médio: um de escola particular, outro de escola pública. O aluno da escola particular estuda o dia inteiro (seis horas pela manhã e mais algumas horas à tarde). O aluno da escola pública trabalha o dia inteiro na lavoura de café e à noite vai para a escola.
Numa das passagens, o jornal mostrou o aluno da escola pública, a qual teve o pior resultado do ENEM, lendo. Foi no mínimo constrangedor ver que,  aos 18 anos, esse aluno lia com muita dificuldade, se é que se pode chamar o que se passou ali de leitura.
Quem se preocupa com o ensino da escola pública logo se pergunta o que está ocorrendo com ela. Como pode um aluno chegar aos 18 anos lendo aos soquinhos,  quase silabicamente? A resposta foi dada num dos quadros apresentados no jornal, que mostrou o professor da escola particular dizendo os métodos utilizados por ela para ter bons alunos: cuidado com o ensino  (com a preparação dos alunos) desde as séries iniciais. Isso nos mostra que a aprendizagem é um processo contínuo que tem de ser abraçado desde sempre com firmeza e determinação por quem se propõe a fazê-lo, o que, pelo visto, não foi propiciado àquele aluno da escola pública.
Trabalhar o dia inteiro e estudar à noite é realidade de muitos alunos do Ensino Médio deste país. Necessita-se, pois, de uma escola que se adapte a essa realidade e busque métodos que levem os alunos a aprender o que lhes é ensinado, desde sempre, desde os primórdios de sua vida escolar.
Eu acredito na escola pública e acredito porque sou fruto de uma escola que me propiciou na antiga 4ª série (uma das séries iniciais do hoje chamado Ensino Fundamental) escrever uma redação cujo tema era “Escravidão”.  No dia da entrega desse texto, minha professora chamou a atenção da turma e fez um elogio a quem o havia escrito. Quando ela disse o meu nome, minha surpresa foi tamanha e foi tamanha porque em minha classe havia muitos outros expoentes, muitos outros alunos que eram capazes de escrever redações como eu. O que diferenciou a minha redação das outras, o que a fez ser elogiada, foi o fato de eu ter tido a ousadia (e certa inteligência) de mostrar que a escravidão não havia findado no séc. XIX, ela ainda persistia em nosso país, através da miséria, da ignorância etc. Quantos de nossos alunos hoje são capazes de tal empreitada?
Infelizmente o que eu mostrei quando criança ainda persiste em existir. Enquanto os que compõem a escola pública não mudarem sua mentalidade quanto aos métodos de ensino, quanto ao desejo de fazer seus alunos de fato aprenderem, perpetuar-se-á a escravidão.