domingo, 9 de janeiro de 2011

Rio de Janeiro

No final de 2010 e início de 2011 passei uns dias no Rio de Janeiro, com uma amiga que não via há anos, Denise A., mãe de Enzo, de dois aninhos, o qual eu ainda não conhecia.
Os preparativos e a chegada ao local de destino foram, apesar de alguns contratempos, tranquilos. Mas tratando-se de mim e tratando-se de viagens, nem tudo são flores. Sou dada a rotinas. Sei que alguns só de ouvir essa palavra se arrepiam. Eu, não. Adoro ter meus horários certos, dormir e acordar na mesma cama, ficar em casa lendo ou cuidando de afazeres. Diante disso, os primeiros dias num local diferente do usual sempre são difíceis, o que tentei aplacar mantendo hábitos que levo aonde vou, como a corrida (o velho e bom cooper), que só consegui manter nos dois primeiros dias dessa viagem, devido a chuvas na cidade e à preguiça que se abateu sobre mim, caso raro que atribuo ao tempo e ao bairro em que fiquei, Santa Teresa, local tradicional, antigo e belíssimo do Rio de Janeiro, com morros e acesso um tanto difícil.
A cidade do Rio de Janeiro, com seus prédios antigos, com seu povo descontraído e charmoso, tem algo que atrai o coração mais frio e distante, e Santa Teresa a representa muito bem.
Como nem tudo é subida, descida, parada, conversa e cerveja, visitei alguns sebos e num, no centro da cidade, fiz boas aquisições:
 Santo Agostinho: Confissões. (Achei esta tradução melhor do que a que eu tinha.)
Octávio Tarquínio de Sousa: José Bonifácio.
Durante a estada, ganhei de presente outros livros de um grande amigo e também ótimo anfitrião, Quentin W., de origem inglesa:
     Chaucer:  The Canterbury Tales.
     Milton: Paradise Regained.
     The SONNETS of WILLIAM SHAKESPEARE.
     P.G. Wodehouse: Plum Pie.
     Charles Dickens: A Christmas Carol.
     Mary Soames: Speaking for themselves, the personal letters of Winston and Clementine Churchill.
Conheci o mosteiro de São Bento (em que assisti a uma Missa cantada), o Convento de Santo Antônio e a Igreja de São Francisco da Penitência, estes últimos em plena reforma, mas que não impediu de apreciar a belíssima arte barroca. Inesquecíveis. Além de comprar livros e conhecer belos templos,  fui a uma loja “vintage” de roupas produzidas até a década de oitenta, de onde adquiri duas peças que me custaram todos os níqueis (quem mo dera “níqueis”!) da carteira.
Visitamos, eu, Denise A. e a família, o parque Nacional da Tijuca, um portento de lugar. No alto daí vimos o quanto a cidade do Rio de Janeiro, precisamente a Zona Sul, é arborizada e como que, curiosamente, a cor creme de seus prédios os torna visualmente belos quando vistos de longe, estava um dia chuvoso, de céu cinza, e essa cor acentuava a antiguidade deles.
No heliporto, o preço para se andar de helicóptero era no mínimo curioso, 10 minutos custavam quase 200 reais. Eu não pagaria nem um minuto porque tenho pavor de altura e só viajo de avião porque tenho também pavor de passar horas em ônibus (sempre imagino que o motorista está cansado e com sono), mas há quem pague. E goste. Há gosto para tudo nesse mundo. 
Em seguida fomos a um restaurante no Alto da Boa vista, onde havia um parquinho, no qual Enzo (filho de minha amiga) brincou a valer. A infância só sabe que vive, e ri, de acordo com o que li num estudo de Gramática. Também belo ver isso.